LCA (Ligamento Cruzado Anterior)

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O QUE SIGNIFICA ESSA ESTRUTURA E QUAL SUA FUNÇÃO?

É um dos principais ligamentos do joelho e o mais operado. Juntamente com o ligamento cruzado posterior formam o pivot central do joelho. Este ligamento une-se à tíbia de um lado e ao fêmur do outro e tem a função de estabilização do joelho, evitando anteriorização da tíbia em relação ao fêmur e impedindo a rotação exagerada do joelho.

COMO EU DEVO TER LESIONADO?

A lesão do LCA é traumática, geralmente na prática esportiva ou após um acidente (motocicleta, escorrego, etc). Na maioria dos casos a lesão é no membro que estava apoiando o peso do corpo, com o pé preso ao solo enquanto o corpo gira sobre o joelho. Em grande parte das vezes, ocorre um valgo dinâmico (o joelho vai “para dentro”) e é sentido um estalo no joelho.

QUAIS OS SINTOMAS QUE ISSO COSTUMA CAUSAR?

No momento da lesão, muitas vezes sente-se (ou mesmo escuta-se) o estalo. O paciente pode referir a sensação de que o joelho “deslocou-se” e muitas vezes ele incha bastante devido o derrame de sangue que ocorre dentro da articulação e o paciente sente dor ao movimentar o joelho, tendo a tendência de deixa-lo mais imóvel. Com o passar dos dias o joelho vai desinchando e melhorando a mobilidade e se a lesão do ligamento for isolada (sem lesão de menisco ou outras estruturas) o paciente pode ficar sem qualquer sintoma após algumas poucas semanas, dando a impressão que não há nenhuma lesão. Isso é causado pelo fato de o ligamento não causar dor e sim, instabilidade (sensação de que ele desloca-se). Quando o paciente vai realizar alguma atividade física, principalmente as que envolvem rotação, o paciente sente o falseio articular (joelho deslocando-se e retornando para o local de origem) e cada vez que isso ocorre pode ocasionar lesões associadas em meniscos, cartilagem ou outros ligamentos.

COMO CONFIRMAR A MINHA LESÃO?

O exame físico onde o médico faz manobras no joelho, na maioria dos casos se não confirmar, nos dá um alto grau de suspeição. Nos primeiros dias a dor dificulta demais a análise, mas com o passar da fase mais aguda fica bem mais fácil o exame.

A confirmação mesmo deve ser feita com a ressonância nuclear magnética. Além de ela confirmar a lesão, avalia se há alguma outra lesão associada como lesão em outro ligamento, meniscos ou cartilagem.

QUAIS OPÇÕES DE TRATAMENTO?

Quando o ligamento é considerado insuficiente (lesão completa ou parcial extensa na ressonância; frouxidão perceptível no exame físico ou queixas de que sente o joelho deslocar-se) e o paciente é ativo, a cirurgia é o tratamento de escolha.
Pequenos estiramentos, lesão em pessoas mais velhas ou pouco ativas e naquelas com pouco sintoma, o tratamento de fortalecimento muscular direcionado e afastamento das atividades de maior risco pode ser tentado.

COMO FUNCIONA A CIRURGIA?

Sabemos que lesões mais extensas do LCA não cicatrizam, assim devemos realizar a cirurgia de reconstrução videoartroscópica do LCA (reconstrução porque colocaremos um tendão para substituílo e videoartroscópica significa que é minimamente invasiva através de aparelhos por vídeo). Nessa cirurgia, retiramos tendões de um local e colocamos no interior do joelho, exatamente onde o LCA estaria e fixamos este tendão.

A maioria dos tendões utilizados são os flexores (grácil e semitendíneo) ou o tendão patelar. Cada qual tem suas vantagens e desvantagens e isso deve ser discutido pessoalmente com o médico. Eu particularmente tenho preferência pelos flexores por considerar que seja uma cirurgia menos traumática, com melhor recuperação e menor cicatriz.

A anestesia utilizada para este tipo de cirurgia em todo o mundo é a raquianestesia, já que precisamos que apenas os membros inferiores fiquem anestesiados. Costumeiramente usamos sedativo para o paciente adormecer do início ao fim do procedimento (muito nem lembram que tomaram a raquianestesia).

COMO É A RECUPERAÇÃO PÓS-CIRÚRGICA?

Isso varia enormemente entre os pacientes. Vai depender de uma série de fatores: qual tendão foi utilizado, quais outras lesões associadas a lesão do LCA, idade e constituição física do paciente, peso corporal, limiar de dor (alguns paciente naturalmente sentem mais dor ou menos dor que outros), qualidade da fisioterapia, etc.

Embora saibamos que pode variar bastante, basicamente eu costumo fazer da seguinte forma:

– no dia seguinte a cirurgia já libero para movimentar por completo o joelho, sem qualquer imobilização, apenas curativo. É normal doer ao flexionar o joelho, mas isto deve ser feito para auxiliar na recuperação e evitar fibrose e TVP (discutidas mais a frente neste texto)

– a fisioterapia deve ser iniciada logo no primeiro ou segundo dia de cirurgia, isso ajuda a evitar algumas complicações e impedir que a atrofia muscular seja tão grande

– apesar de andar com muletas, o paciente já pode pisar no chão colocando o tanto de força que suportar sem dor; a cada dia vai progredindo mais e muitos já conseguem retirar as muletas em cerca de 15 dias

– alguns pacientes sentem dor mais intensa e as medicações anti-inflamatórias e analgésicas auxiliam bastante

– no início os retornos para reavaliação do tratamento são semanais e após o primeiro mês tornam-se mensais

– no primeiro mês já se pode utilizar bicicleta ergométrica e exercícios na água (após boa cicatrização dos pontos que são retirados com cerca de 15 a 20 dias)

– no segundo mês já pode iniciar alguns exercícios na academia e caminhada leve

– no terceiro mês já se pode realizar praticamente todos os exercícios de musculação e alguns já iniciam corrida em linha reta / trote

– esportes de maior contato físico ou que exijam rotação do joelho (futebol, vôlei, basquete, lutas, algumas danças, etc) só são liberados após o sexto mês desde que o tratamento fisioterápico e de fortalecimento tenha sido feito de forma adequada e eu possa avaliar o paciente antes de retornar a essas atividades

O QUE ESPERAR APÓS O TRATAMENTO?

A cirurgia visa reabilitar o paciente para realizar todas as atividades que antes embora é sempre importante o paciente estar ciente de que uma nova lesão pode ocorrer, principalmente se a recuperação pós-cirúrgica não foi adequada e ter a noção de que alguns esportes predispõem mais a lesões. Mas quando tudo ocorre naturalmente bem, o paciente pode retornar a seu esporte de laser preferido.

QUAIS OS RISCOS DA CIRURGIA?

Os mais importantes, embora não tão comuns são:

-TVP (trombose venosa profunda): é quando é formado um coágulo nas veias da perna que impedem a circulação normal e o paciente deve tomar medicação anti-coagulante até dissolver o trombo (cerca de 3 meses); pode ser evitada com a fisioterapia precoce e a movimentação precoce e diária

-Infecção: ocorre quando há contaminação por bactéria e não dá para precisar se foi contraída durante a cirurgia (infecção hospitalar) ou durante a reabilitação (infecção da comunidade), embora ambos sejam raras

-artrofibrose: quando o joelho cria uma fibrose (espécie de cola dentro da articulação) e impede os movimentos normais; a melhor prevenção é a movimentação precoce

Algumas ocorrência mais comuns, mas que desaparecem com o passar dos dias são: derrame articular (líquido no joelho), hematomas (manchas roxas) no membro, edema / inchaço, atrofia muscular, dentre outras.

COMO PREVENIR UMA NOVA LESÃO?

Uma reabilitação fisioterápica aliada a um fortalecimento adequado e retorno às atividades apenas quando houver liberação por parte do médico é a melhor prevenção.

  • SOBRE O LCA

    É um dos principais ligamentos do joelho e o mais operado. Juntamente com o ligamento cruzado posterior formam o pivot central do joelho. Este ligamento une-se à tíbia de um lado e ao fêmur do outro e tem a função de estabilização do joelho, evitando anteriorização da tíbia em relação ao fêmur e impedindo a rotação exagerada do joelho.

  • COMO POSSO TER LESIONADO?

    A lesão do LCA é traumática, geralmente na prática esportiva ou após um acidente (motocicleta, escorrego, etc). Na maioria dos casos a lesão é no membro que estava apoiando o peso do corpo, com o pé preso ao solo enquanto o corpo gira sobre o joelho. Em grande parte das vezes, ocorre um valgo dinâmico (o joelho vai “para dentro”) e é sentido um estalo no joelho.

  • QUAIS OS SINTOMAS QUE ISSO COSTUMA CAUSAR

    No momento da lesão, muitas vezes sente-se (ou mesmo escuta-se) o estalo. O paciente pode referir a sensação de que o joelho “deslocou-se” e muitas vezes ele incha bastante devido o derrame de sangue que ocorre dentro da articulação e o paciente sente dor ao movimentar o joelho, tendo a tendência de deixa-lo mais imóvel. Com o passar dos dias o joelho vai desinchando e melhorando a mobilidade e se a lesão do ligamento for isolada (sem lesão de menisco ou outras estruturas) o paciente pode ficar sem qualquer sintoma após algumas poucas semanas, dando a impressão que não há nenhuma lesão. Isso é causado pelo fato de o ligamento não causar dor e sim, instabilidade (sensação de que ele desloca-se). Quando o paciente vai realizar alguma atividade física, principalmente as que envolvem rotação, o paciente sente o falseio articular (joelho deslocando-se e retornando para o local de origem) e cada vez que isso ocorre pode ocasionar lesões associadas em meniscos, cartilagem ou outros ligamentos.

Lesões dos Meniscos

LCA - Ligamento Cruzado Anterior

Condromalacia / Condropatia da Patela

Artroplastia (ou Prótese) Total do Joelho

Osteotomia de Realinhamento do Fêmur

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